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Aqui você pode acompanhar meu percurso profissional e minha perspectiva de trabalho com a Psicologia corporal e o Tantra

Aquele que dança a totalidade

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Aquele que dança a totalidade

Bruno Cuiabano

Através da Antropologia Teatral de Eugênio Barba e da investigação teatral de Jerzy Grotowsky pude me atentar aos lugares no corpo onde nascem os impulsos, como se movem e segundo que dinamismo e trajetória.

Ao ler a palavra ator se deverá entender ator e bailarino e na verdade também todos os seres em sua pesquisa pessoal e espiritual. Ao ler a palavra teatro, se deverá entender por teatro e dança e na verdade a vida como um todo.

A antropologia teatral de Eugênio Barba é o estudo do comportamento cênico pré expressivo que se encontra na base dos diferentes gêneros, estilos e papeis e das tradições pessoais e coletivas. São princípios aplicados ao peso, ao equilíbrio, ao uso da coluna vertebral e dos olhos. A pré expressividade tem correlação com que há de vivo no ator. Qualidade de energia que torna o corpo vivo, expressivo, decidido, crível.  No tantra também buscamos um corpo crível, o contrário de um corpo incrível. Nesse corpo se forma a lei da maior atenção e observação de cada sensação em busca do prazer e realização.

Ao concentrar-se no nível pré expressivo, observa-se seus processos sutis antes da expressão que caracterizam a essência do ser e possibilitam ao ator fazer perceptível aquilo que é invisível, a intenção. Desse modo a presença do ser consegue manter a atenção das pessoas antes de transmitir qualquer mensagem.

O corpo cotidiano é condicionado pela cultura, pelo status social e pelo oficio. Consiste-se numa forma padrão de agir, identitária, etnocêntrica, egocêntrica e voltada para objetivos e resultados muito bem planejados e rígidos. Um corpo cotidiano é em geral caracterizado pela atenção mínima, da ação automatizada e do pensamento repetitivo.

O corpo extracotidiano busca fugir das formas e da identificação com o ideal de beleza e pureza. Quer escapar do comportamento utilitário buscando atitudes criativas e originais no existir. A desnaturalização da experiência automatizada.

O ser tântrico/ator não tem um repertório de regras taxativas para respeitar. Deve construir ele mesmo as regras sobre as quais apoiar-se. Ele é aparentemente mais livre, mas encontra maiores dificuldade de desenvolver de modo articulado e continuo a qualidade de seu artesanato por se encontrar sempre lidando com territórios desconhecidos.

Tem a possibilidade sempre de aprender a partir dos dotes inatos de sua personalidade, no confronto com outras pessoas, do estudo dos livros e textos, na arte, nas indicações dos orientadores e mestres que passam pelo seu caminho.

A formação de um ator por Jerzy Grotowsky não consiste em ensinar-lhe alguma coisa. Ele procura eliminar a resistência do organismo a esse processo psíquico. O resultado é a liberdade do intervalo de tempo entre impulso interior e da reação externa de modo tal que o impulso é já a reação externa. 

Quando alguém pisa o pé de uma pessoa que vivencia o tantra e a meditação, ele diz imediatamente: O pé debaixo é meu. Como não houve repressão, não ocorre a explosão, nem para dentro, nem para fora. A energia emocional escoa naturalmente.

Quando alguém pisa o pé de um a pessoa educada para negar e esconder os conflitos essa pessoa nem pisca, não contrai um músculo e não reclama. Ela pensa: ele não fez de propósito e não percebe que está me machucando. Mas eu sou controlado e não vou reclamar. Ele vai acabar percebendo que está me pisando e sairá de cima do meu pé. Ele não está fazendo por mal. Devo evitar um constrangimento. Não vou reclamar. Eu aguento! E finalmente, quando toma uma atitude, a reação costuma ser mais agressiva e neurótica.

Esse processo não se dá por acumulo de habilidade e sim por eliminação de bloqueios. O corpo tântrico não é o que flui a todo momento, mas o corpo que decide, que corta.

A técnica de Grotowsky não é um método dedutivo para colecionar técnicas. A maturação do ser se dá por um completo desnudar-se, por um revelar a própria intimidade.

Há nisso uma tentativa de absorver a realidade de todos os seus lados, na multiplicidade de seus aspectos e ao mesmo tempo um permanecer como de fora, de longe. Em outras palavras a dança da forma, o pulsar da forma. O homem em estado espiritual elevado usa ritmicamente signos articulados, começa a dançar e a cantar.

O Patrono mitológico do teatro indiano antigo era Shiva. O dançarino cósmico que dançando gera tudo que é, e tudo o que é destruirá. Aquele que dança a totalidade. Shiva nos contos mitológicos aparece como o criador dos opostos, nas esculturas antigas era representado com os olhos entre abertos e levemente sorridente. O seu rosto trazia a marca de quem conhece a relatividade das coisas. Shiva diz: sem nome sou, sem forma e sem ação. Eu sou pulsar, movimento e ritmo. Shiva Gitta

Estar sobre o chão como estaria uma flor que brotou ali por casualidade. Como uma flor, está viva e deve respirar.

Antropologia Teatral

Através da Antropologia Teatral de Eugênio Barba e da investigação teatral de Jerzy Grotowsky pude me atentar aos lugares no corpo onde nascem os impulsos, como se movem e segundo que dinamismo e trajetória.

Ao ler a palavra ator se deverá entender ator e bailarino e na verdade também todos os seres em sua pesquisa pessoal e espiritual. Ao ler a palavra teatro, se deverá entender por teatro e dança e na verdade a vida como um todo.

A antropologia teatral de Eugênio Barba é o estudo do comportamento cênico pré expressivo que se encontra na base dos diferentes gêneros, estilos e papeis e das tradições pessoais e coletivas. São princípios aplicados ao peso, ao equilíbrio, ao uso da coluna vertebral e dos olhos. A pré expressividade tem correlação com que há de vivo no ator. Qualidade de energia que torna o corpo vivo, expressivo, decidido, crível.  No tantra também buscamos um corpo crível, o contrário de um corpo incrível. Nesse corpo se forma a lei da maior atenção e observação de cada sensação em busca do prazer e realização.

Ao concentrar-se no nível pré expressivo, observa-se seus processos sutis antes da expressão que caracterizam a essência do ser e possibilitam ao ator fazer perceptível aquilo que é invisível, a intenção. Desse modo a presença do ser consegue manter a atenção das pessoas antes de transmitir qualquer mensagem.

O corpo cotidiano é condicionado pela cultura, pelo status social e pelo oficio. Consiste-se numa forma padrão de agir, identitária, etnocêntrica, egocêntrica e voltada para objetivos e resultados muito bem planejados e rígidos. Um corpo cotidiano é em geral caracterizado pela atenção mínima, da ação automatizada e do pensamento repetitivo.

O corpo extracotidiano busca fugir das formas e da identificação com o ideal de beleza e pureza. Quer escapar do comportamento utilitário buscando atitudes criativas e originais no existir. A desnaturalização da experiência automatizada.

O ser tântrico/ator não tem um repertório de regras taxativas para respeitar. Deve construir ele mesmo as regras sobre as quais apoiar-se. Ele é aparentemente mais livre, mas encontra maiores dificuldade de desenvolver de modo articulado e continuo a qualidade de seu artesanato por se encontrar sempre lidando com territórios desconhecidos.

Tem a possibilidade sempre de aprender a partir dos dotes inatos de sua personalidade, no confronto com outras pessoas, do estudo dos livros e textos, na arte, nas indicações dos orientadores e mestres que passam pelo seu caminho.

A formação de um ator por Jerzy Grotowsky não consiste em ensinar-lhe alguma coisa. Ele procura eliminar a resistência do organismo a esse processo psíquico. O resultado é a liberdade do intervalo de tempo entre impulso interior e da reação externa de modo tal que o impulso é já a reação externa. 

Quando alguém pisa o pé de uma pessoa que vivencia o tantra e a meditação, ele diz imediatamente: O pé debaixo é meu. Como não houve repressão, não ocorre a explosão, nem para dentro, nem para fora. A energia emocional escoa naturalmente.

Quando alguém pisa o pé de um a pessoa educada para negar e esconder os conflitos essa pessoa nem pisca, não contrai um músculo e não reclama. Ela pensa: ele não fez de propósito e não percebe que está me machucando. Mas eu sou controlado e não vou reclamar. Ele vai acabar percebendo que está me pisando e sairá de cima do meu pé. Ele não está fazendo por mal. Devo evitar um constrangimento. Não vou reclamar. Eu aguento! E finalmente, quando toma uma atitude, a reação costuma ser mais agressiva e neurótica.

Esse processo não se dá por acumulo de habilidade e sim por eliminação de bloqueios. O corpo tântrico não é o que flui a todo momento, mas o corpo que decide, que corta.

A técnica de Grotowsky não é um método dedutivo para colecionar técnicas. A maturação do ser se dá por um completo desnudar-se, por um revelar a própria intimidade.

Há nisso uma tentativa de absorver a realidade de todos os seus lados, na multiplicidade de seus aspectos e ao mesmo tempo um permanecer como de fora, de longe. Em outras palavras a dança da forma, o pulsar da forma. O homem em estado espiritual elevado usa ritmicamente signos articulados, começa a dançar e a cantar.

O Patrono mitológico do teatro indiano antigo era Shiva. O dançarino cósmico que dançando gera tudo que é, e tudo o que é destruirá. Aquele que dança a totalidade. Shiva nos contos mitológicos aparece como o criador dos opostos, nas esculturas antigas era representado com os olhos entre abertos e levemente sorridente. O seu rosto trazia a marca de quem conhece a relatividade das coisas. Shiva diz: sem nome sou, sem forma e sem ação. Eu sou pulsar, movimento e ritmo. Shiva Gitta

Estar sobre o chão como estaria uma flor que brotou ali por casualidade. Como uma flor, está viva e deve respirar.