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Aqui você pode acompanhar meu percurso profissional e minha perspectiva de trabalho com a Psicologia corporal e o Tantra

Meditação Tântrica - Seja como um bambu oco

Blog

Meditação Tântrica - Seja como um bambu oco

Bruno Cuiabano

"Milhões e milhões de vezes mais profunda

Milhões e milhões de vezes mais alta é Mahamudra

É um orgasmo total com o todo, com o universo

É fundir-se na fonte do ser"

 

Essa é a canção de Canção de Tilopa sobre Mahamudra, que significa um orgasmo total com o universo, o coito profundo e orgástico entre dois amorosos.

A meditação é projeção de todo nosso ser, uma tensão em direção a algo que está simultaneamente dentro e fora de nós. Existe uma imobilidade que transporta e faz voar ao mesmo tempo que existe uma imobilidade que faz com que os pés se afundem na terra.

Observe as nuvens: movem-se e podem ser tão densas que não consegue ver o céu através delas. Mas então continua a observar: uma nuvem se move e subitamente, há um ponto na vastidão azul do céu.

Observa a mente e veja onde ela está em seu corpo. Sentirá pensamentos flutuando com poucos intervalos. Se observar por bastante tempo verá que os pensamentos existem em maior número do que os intervalos, mas os intervalos existem porque cada pensamento precisa estar separado de outro pensamento, cada palavra precisa estar separada de outras palavras. Quanto mais observar com calma maiores serão as brechas.

Mesmo que tente agarrar um pensamento, não consegue reter ele por muito tempo. Mesmo que tente se desfazer de um pensamento, não consegue ficar muito tempo escondido dele. Os pensamentos não são seus, não te pertencem, eles têm seu próprio nascimento e morte. Chegam como visitantes, hóspedes, mas não são o hospedeiro.

Fique atento aos intervalos, ao que continua apesar das nuvens: o céu, ou melhor, o Tao.

Há sempre bons e maus pensamentos, mas um hospedeiro sempre trata seus hóspedes da mesma maneira, sem fazer distinções. Tanto porque não vai conseguir expulsar um pensamento ruim ou manter um pensamento bom por muito tempo. Se julgar seus pensamentos estará se identificando com os ditos pensamentos bons e empurrando os ditos maus pensamentos para longe. O bom não vive sem o mal, pois são faces de uma mesma realidade. Não pode pensar em um sem pensar no outro. Não há como pensar a paz apartada da violência, não há com pensar o celibato apartado do sexo.

Sempre que uma pessoa se torna interessada em meditação, começa por tentar deter o pensamento. E se tentar deter o pensamento, ele jamais se deterá porque o próprio esforço para detê-lo é um pensamento. O próprio esforço para meditar é um pensamento. Não lute. Não faça sua casa um campo de batalha.

Tente não se identificar com o que você é, com o seu nome porque isso também é um pensamento. Seja pura percepção de seu corpo. Não se atenha ao que pensa sobre seu corpo. Seja um corpo que não é forma e sim mudança constante.

Quando estamos eretos não podemos de nenhuma maneira estar imóveis. Mesmo quando acreditamos estar, minúsculos movimentos deslocam nosso peso. Trata-se de uma serie continua de ajustes com os quais o peso passa incessantemente a pressionar o corpo. Algumas vezes a parte anterior, outras a parte posterior, algumas vezes a parte direita do pé outras o pé esquerdo.  Esses micromovimentos estão presentes ainda que na mais absoluta imobilidade, às vezes mais reduzidos, às vezes mais amplos, às vezes mais controlados às vezes menos, de acordo com a nossa constituição física, idade e de humor.

São complicados e trabalhosos os movimentos que fazemos para nos manter parados. A continuidade de um equilíbrio precário gera presença corporal. Sejamos o equilíbrio permanentemente instável.

O pensamento é tão exterior quanto um objeto, e somos acostumados a reivindica-los como propriedade, dotando eles de uma realidade única, verdadeira e original. Eles começam cada vez mais a se tornarem coisas porque na verdade são dois aspectos de um mesmo fenômeno na realidade. Podemos lançar um pensamento assim como se lança um objeto. Pensamentos são coisas, são emoções, são forças. Pensamentos não cessam de construir mundos.

Texto elaborado com base na obra de OSHO, "Tantra, a suprema compreensão"